
A Prefeitura de São Paulo apresentou, no último dia 13, projeto que prevê a instalação de novos relógios de ruas e abrigos para ônibus na cidade de São Paulo, além da utilização desse mobiliário como veículo de propaganda.
Após a Lei Cidade Limpa, que proibiu publicidade externa na Cidade de São Paulo, a metrópole voltará a ter publicidade.
O projeto, que permite colocação de propaganda no mobiliário urbano, prevê que uma empresa faça implantação e reposição dos relógios, e outra construa abrigos de ônibus e instale os totens. O processo de licitação está aberto para empresas estrangeiras. A concessão será de 25 anos. Ao todo, a cidade ganhará mil relógios de ruas, 7.500 abrigos de ônibus e 14 mil totens que fornecerão informações aos passageiros. Isso deve representar um aumento de 15% de pontos e abrigos na capital.
A Av. Paulista, por exemplo, ganhará 96 anúncios em abrigos de ônibus e relógios de rua. As 35 paradas de ônibus serão mantidas e os relógios, passarão de 5 para 13. Média de uma propaganda a cada 27 metros.
O que preocupa, não somente, mas particularmente no caso da Avenida Paulista é que esse espaço urbano teve um projeto total de design urbano realizado pelo renomado escritório de João Cauduro e Ludovico Martino, implantado na década de 1970, o que torna essa avenida um único exemplo de harmonia estética na cidade.
Há muito, a avenida mais querida dos paulistanos vem sofrendo violências de todo o tipo: a substituição dos abrigos de ônibus elegantes projetados por Cauduro-Martino por aqueles abrigos metálicos “pseudo-design” e, mais recentemente, os novos postes de iluminação pública, algo cibernéticos, a supressão dos bancos geométricos que conferiam graça serpenteando pelas calçadas, a “concretação” absoluta das calçadas de mosaico português, que somente resistiu, pelo que me lembre, à frente do Conjunto Nacional.
Enfim, mais um símbolo de identidade que vai, aos poucos desaparecendo.
O mesmo projeto Cidade Limpa é cheio de méritos, porém há coisas discutíveis, como a flexibilização do histórico letreiro do Itaú no relógio digital do Conjunto Nacional, pela Prefeitura, para render um contrato milionário.
É preciso verificar se há no edital menção à necessidade de que o projeto dos abrigos, relógios e totens tenham, obrigatoriamente, que ser desenvolvidos especialmente por designers ou arquitetos, e que se harmonizem com a cidade.
Com certeza, caberia a contratação, por concurso público, por exemplo, de projeto de design e urbanístico para o novo mobiliário urbano da cidade que poderia incluir, ainda, os bancos, lixeiras, sinalização vertical etc.
Num momento em que a cidade se posiciona como principal polo da Economia Criativa, é a oportunidade de rever as formas de contratação desse tipo de serviço que podem causar uma interferência na cidade e a gradual perda de símbolos com os quais nos identificamos.
São Paulo necessita de um design total, tal qual foi feito na Avenida Paulista nos 1970, para seguir o exemplo de outras cidades no mundo que recuperaram sua vitalidade por meio da aplicação do design urbano.